Algumas Curiosidades da Língua Portuguesa

Publicado: 30/11/2011 por Déborah em Curiosidades
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Nas minhas andanças pela internet achei um texto muito interessante: 100 Observações a Respeito da Nossa Complicada Língua Portuguesa Brasileira. Fala de tudo um pouco, como grafia, hífen, acentos, concordância etc. Selecionei as que achei mais interessante e descartei todas as que versavam sobre o uso do hífen e acentos, pois me parece que o texto foi escrito antes de começar a vigorar a reforma ortográfica de nossa língua. Aqui reproduzo quarenta das cem observações e deixo o pedido, para quem souber, de me informar o autor das mesmas pois infelizmente não o encontrei.

1. Custas só se usa na linguagem jurídica para designar ‘despesas feitas no processo’. Portanto, devemos dizer: “O filho vive à custa do pai”. No singular.

2. Não existe a expressão à medida em que. Ou se usa à medida que correspondente a à proporção que, ou se usa na medida em que equivalente a tendo em vista que.

3. A princípio significa inicialmente, antes de mais nada. Ex: A princípio, gostaria de dizer que estou bem. Em princípio quer dizer em tese. Ex: Em princípio, todos concordaram com minha sugestão.

4. Com a conjunção se, deve-se utilizar acaso, e nunca caso. O certo: “Se acaso vir meu amigo por aí, diga-lhe…”. Mas podemos dizer: “Caso o veja por aí…”.

5. Não esqueça: alface é substantivo feminino. A alface está bem verdinha.

6. O certo é alto-falante, e não auto-falante.

7. Ancião tem três plurais: anciãos, anciães, anciões.

8. Só use ao invés de para significar ao contrário de, ou seja, com idéia de oposição. Veja: Ela gosta de usar preto ao invés de branco. Ao invés de chorar, ela sorriu. Em vez de quer dizer em lugar de. Não tem necessariamente a idéia de oposição. Veja: Em vez de estudar, ela foi brincar com as colegas. (Estudar não é antônimo de brincar).

9. Ainda se vê e se ouve muito aterrisar em lugar de aterrissar, com dois s. Escreva sempre com o s dobrado.

10. Não existe preço barato ou preço caro. Só existe preço alto ou baixo. O produto, sim, é que pode ser caro ou barato. Veja: Esse televisor é muito caro. O preço desse televisor é alto.

11. Existem palavras que só devem ser empregadas no plural. Veja: os óculos, as núpcias, as olheiras, os parabéns, os pêsames, as primícias, os víveres, os afazeres, os anais, os arredores, os escombros, as fezes, as hemorróidas, etc.

12. Pouca gente tem coragem de usar, mas o plural de caráter é caracteres. Então, Carlos pode ser um bom-caráter, mas os dois irmãos dele são dois maus-caracteres.

13. Catequese se escreve com s, mas catequizar é com z. Esse português…

14. Você não bebe a champanhe. Bebe o champanhe. É, portanto, palavra masculina.

15. Cidadão só tem um plural: cidadãos.

16. Ninguém diz eu coloro esse desenho. Dói no ouvido. Portanto, o verbo colorir é defectivo (defeituoso) e não aceita a conjugação da primeira pessoa do singular do presente do indicativo. A mesma coisa é o verbo abolir. Ninguém é doido de dizer eu abulo. Pra dar um jeitinho, diga: Eu vou colorir esse desenho. Eu vou abolir esse preconceito.

17. Outro verbo danado é computar. Não podemos conjugar as três primeiras pessoas: eu computo, tu computas, ele computa. A gente vai entender outra coisa, não é mesmo? Então, para evitar esses palavrões, decidiu-se pela proibição da conjugação nessas pessoas. Mas se conjugam as outras três do plural: computamos, computais, computam.

18. Coser significa costurar. Cozer é que significa cozinhar.

19. O correto é dizer deputado por São Paulo, senador por Pernambuco, e não deputado de São Paulo e senador de Pernambuco.

20. Descriminar é absolver de crime, inocentar. Discriminar é distinguir, separar. Então dizemos: Alguns políticos querem descriminar o aborto. Não devemos discriminar os pobres.

21. A palavra (pena) é masculina. Portanto, sentimos muito dó daquela moça.

22. Há duas formas de dizer: é proibido entrada, e é proibida a entrada. Observe a presença do artigo a na segunda locução.

23. Já se disse muitas vezes, mas vale repetir: televisão em cores, e não a cores.

24. A confusão é grande, mas se admitem as três grafias: enfarte, enfarto e infarto.

25. Outra dúvida: nunca devemos dizer estadia em lugar de estada. Portanto, a minha estada em São Paulo durou dois dias. Mas a estadia do navio em Santos só demorou um dia. Portanto, estada para permanência de pessoas, e estadia para navios ou veículos.

26. Lembra-se dos verbos defectivos? Lá vai mais um: falir. No presente do indicativo só apresenta a primeira e a segunda pessoa do plural: nós falimos, vós falis. Já pensou em conjugá-lo assim: eu falo, tu fales… Horrível, né?

27. O certo é a libido, feminino. Devo dizer: Minha libido hoje não tá legal.

28. Todo mundo gosta de dizer magérrima, magríssima, mas o superlativo de magro é macérrimo. (Nota: como a palavra macérrima me deixou curiosa, dei uma pesquisa e achei o seguinte na Wikipédia => magro vem do latim macer e pertence à mesma família de macerar, macerado, maceração, macérrimo, etc. Em todas essas palavras, existe a noção de amolecer, enfraquecer, debilitar, etc. Por se apoiar na raiz latina, macérrimo é considerada a forma erudita do superlativo absoluto sintético de magro. Outra flexão possível é magríssimo, que se apóia na forma portuguesa do adjetivo. No Brasil, é muito comum o emprego de magérrimo. O Aurélio diz que essa forma é anormal (…), apesar de muito comum; o Houaiss diz que essa forma vem sendo usada como se o étimo fosse mager, magris, e não macer, macris, macre, sendo, pois, menos recomendável. O Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, da ABL, registra somente duas formas: magérrimo e macérrimo.)

29. Antes de particípios não devemos usar melhor nem pior. Portanto, devemos dizer: os alunos mais bem preparados são os do 2º grau. E nunca: os alunos melhor preparados…

30. Fique atento: nunca diga nem escreva um de abril, um de maio. Mas sempre: primeiro de abril, primeiro de maio. Prevalece o ordinal.

31. É chato, pedante ou parece ser errado dizer ‘quando eu vir Maria, darei o recado a ela’. Mas esse é o emprego correto do verbo ver no futuro do subjuntivo. Se eu vir, quando eu vir. Mas quando é o verbo vir que está na jogada, a coisa muda: quando eu vier, se eu vier.

32. Só use quantia para somas em dinheiro. Para o resto, pode usar quantidade. Veja: Recebi a quantia de 20 mil reais. Era grande a quantidade de animais no meio da pista.

33. Não esqueça: retificar é corrigir, e ratificar é comprovar, reafirmar: ‘Ratifico o que disse e retifico meus erros‘.

34. Fique atento: só empregamos São antes de nomes que começam por consoante: São Mateus, São João, São Tomé, etc. Se o nome começa por vogal ou h, empregamos Santo: Santo Antonio, Santo Henrique, etc.

35. É comum vermos no rádio e na TV o entrevistado dizer: “O que nos falta são subzídios”. Quer dizer, fala com a pronúncia do z. Mas não é: pronuncia-se ss. Portanto, escreva subsídio e pronuncie subssídio.

36. E nunca diga: Eu torço para o Flamengo. Quem torce de verdade, torce pelo Flamengo.

37. Ciclo vicioso não existe. O correto é círculo vicioso.

38. E qual a diferença entre achar e encontrar? Use achar para definir aquilo que se procura, e encontrar para aquilo que, sem intenção nenhuma, se apresenta à pessoa. Veja: Achei finalmente o que procurava. Maria encontrou uma corda debaixo da cama. Jorge achou o gato dele que fugiu na semana passada.

39. Não existe adiar para depois. Isso é redundante, porque adiar só pode ser para depois.

40. Pode parecer meio estranho, mas pode conjugar o verbo aguar normalmente: eu águo, tu águas, ele água, nós aguamos, vós aguais, eles águam.

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