E-Mail do Além

Publicado: 31/05/2012 por Déborah em Humor
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Um casal decide passar férias numa praia do Caribe, no mesmo hotel onde passaram a lua-de-mel 20 anos atrás. Por problemas de trabalho, a mulher não pôde viajar com seu marido, deixando para ir uns dias depois. Quando o homem chegou e foi para seu quarto do hotel, viu que havia um computador com acesso à internet, então decidiu enviar um e-mail a sua mulher, mas errou uma letra sem se dar conta e o enviou a outro endereço.

O e-mail foi recebido por uma viúva que acabara de chegar do enterro do seu marido e que ao conferir seus e-mails desmaiou instantaneamente.

O filho, ao entrar em casa, encontrou sua mãe desmaiada, perto do computador, que na tela poderia se ler:

Querida esposa:

Cheguei bem.

Provavelmente se surpreenda em receber noticias minhas por e-mail, mas agora tem computador aqui e pode-se enviar mensagens às pessoas queridas.
Acabo de chegar e já me certifiquei que já está tudo preparado para você chegar na sexta que vem.

Tenho muita vontade de te ver e espero que sua viagem seja tão tranqüila como está sendo a minha.

OBS: Não traga muita roupa, porque aqui faz um calor infernal!

Durante escavações no estado de São Paulo, arqueólogos descobriram, a 100 m de profundidade, vestígios de fios de cobre que datavam do ano 1.000. Os paulistas concluíram que seus antepassados já dispunham de uma rede telefônica naquela época!

Os cariocas, para não ficarem para trás, escavaram também seu subsolo, encontrando restos de fibras ópticas a 200 m de profundidade. Após minuciosas análises, concluíram que elas tinham 2.000 anos de idade. Os cariocas concluíram, triunfantes, que seus antepassados já dispunham de uma rede digital a base de fibra óptica, olha que chique!

Uma semana depois, em Belo Horizonte, foi publicado o seguinte anúncio: “Após escavações arqueológicas no subsolo de Contagem, Betim, Barbacena, Formiga, Juiz de Fora, Varginha, Poços de Caldas, Itajubá, Cataguases, Araxá, Lagoa Dourada, São João del Rei, Monte Carmelo, Uberlândia, Araguari, Uberaba, Santo Antonio do Monte, Divinópolis, Pará de Minas, Prata, Vazante, Ituiutaba, Coromandel, São Pedro do Suaçuí, Pitangui, Patos de Minas, Patrocínio, Viçosa, Ponte Nova, Timóteo, Inhapim, Raul Soares, Ouro Preto, Florestal, Muzambinho e diversas outras cidades mineiras, até uma profundidade de 500 metros, os cientistas mineiros não encontraram absolutamente nada.” Assim se conclui que os Mineiros já dispunham, há 5.000 anos, de uma rede de comunicações sem-fio: wireless!

É por isso que se pronuncia ‘uai’reless…

(Desconheço o autor)

”Minas não é palavra montanhosa.

É palavra abissal. Minas é dentro

E fundo”

Carlos Drummond de Andrade

Gente, simplificar é um pecado. Se a vida não fosse tão corrida, se não tivesse tanta conta para pagar, tantos processos — oh sina — para analisar, eu fundaria um partido cuja luta seria descobrir as falas de cada região do Brasil.

Cadê os lingüistas deste país? Sinto falta de um tratado geral das sotaques brasileiros. Não há nada que me fascine mais. Como é que as montanhas, matas ou mares influem tanto, e determinam a cadência e a sonoridade das palavras?

É um absurdo. Existem livros sobre tudo; não tem (ou não conheço) um sobre o falar ingênuo deste povo doce. Escritores, ô de casa, cadê vocês? Escrevam sobre isto, se já escreveram me mandem, que espero ansioso.

Um simples “mas” é uma coisa no Rio Grande do Sul. É tudo menos um “mas” nordestino, por exemplo. O sotaque das mineiras deveria ser ilegal, imoral ou engordar. Porque, se tudo que é bom tem um desses horríveis efeitos colaterais, como é que o falar, sensual e lindo (das mineiras) ficou de fora?

Porque, Deus, que sotaque! Mineira devia nascer com tarja preta avisando: ouvi-la faz mal à saúde. Se uma mineira, falando mansinho, me pedir para assinar um contrato doando tudo que tenho, sou capaz de perguntar: só isso? Assino achando que ela me faz um favor.

Eu sou suspeitíssimo. Confesso: esse sotaque me desarma. Certa vez quase propus casamento a uma menina que me ligou por engano, só pelo sotaque.

Mas, se o sotaque desarma, as expressões são um capítulo à parte. Não vou exagerar, dizendo que a gente não se entende… Mas que é algo delicioso descobrir, aos poucos, as expressões daqui, ah isso é…

Os mineiros têm um ódio mortal das palavras completas. Preferem, sabe-se lá por que, abandoná-las no meio do caminho (não dizem: pode parar, dizem: “pó parar”. Não dizem: onde eu estou?, dizem: “ôndôtô?”). Parece que as palavras, para os mineiros, são como aqueles chatos que pedem carona. Quando você percebe a roubada, prefere deixá-los no caminho.

Os não-mineiros, ignorantes nas coisas de Minas, supõem, precipitada e levianamente, que os mineiros vivem — lingüisticamente falando — apenas de uais, trens e sôs. Digo-lhes que não.

Mineiro não fala que o sujeito é competente em tal ou qual atividade. Fala que ele é bom de serviço. Pouco importa que seja um juiz, um jogador de futebol ou um ator de filme pornô. Se der no couro — metaforicamente falando, claro — ele é bom de serviço. Faz sentido…

Mineiras não usam o famosíssimo tudo bem. Sempre que duas mineiras se encontram, uma delas há de perguntar pra outra: “cê tá boa?” Para mim, isso é pleonasmo. Perguntar para uma mineira se ela tá boa, é como perguntar a um peixe se ele sabe nadar. Desnecessário.

Há outras. Vamos supor que você esteja tendo um caso com uma mulher casada. Um amigo seu, se for mineiro, vai chegar e dizer: — Mexe com isso não, sô (leia-se: sai dessa, é fria, etc).

O verbo “mexer”, para os mineiros, tem os mais amplos significados. Quer dizer, por exemplo, trabalhar. Se lhe perguntarem com o que você mexe, não fique ofendido. Querem saber o seu ofício.

Os mineiros também não gostam do verbo conseguir. Aqui ninguém consegue nada. Você não dá conta. Sôcê (se você) acha que não vai chegar a tempo, você liga e diz:

— Aqui, não vou dar conta de chegar na hora, não, sô.

Esse “aqui” é outro que só tem aqui. É antecedente obrigatório, sob pena de punição pública, de qualquer frase. É mais usada, no entanto, quando você quer falar e não estão lhe dando muita atenção: é uma forma de dizer, olá, me escutem, por favor. É a última instância antes de jogar um pão de queijo na cabeça do interlocutor.

Mineiras não dizem “apaixonado por”. Dizem, sabe-se lá por que, “apaixonado com”. Soa engraçado aos ouvidos forasteiros. Ouve-se a toda hora: “Ah, eu apaixonei com ele…”. Ou: “sou doida com ele” (ele, no caso, pode ser você, um carro, um cachorro). Elas vivem apaixonadas com alguma coisa.

Que os mineiros não acabam as palavras, todo mundo sabe. É um tal de bonitim, fechadim, e por aí vai. Já me acostumei a ouvir: “E aí, vão?”. Traduzo: “E aí, vamos?”. Não caia na besteira de esperar um “vamos” completo de uma mineira. Não ouvirá nunca.

Na verdade, o mineiro é o baiano lingüístico. A preguiça chegou aqui e armou rede. O mineiro não pronuncia uma palavra completa nem com uma arma apontada para a cabeça.

Eu preciso avisar à língua portuguesa que gosto muito dela, mas prefiro, com todo respeito, a mineira. Nada pessoal. Aqui certas regras não entram. São barradas pelas montanhas. Por exemplo: em Minas, se você quiser falar que precisa ir a um lugar, vai dizer:

— Eu preciso de ir.

Onde os mineiros arrumaram esse “de”, aí no meio, é uma boa pergunta. Só não me perguntem. Mas que ele existe, existe. Asseguro que sim, com escritura lavrada em cartório. Deixa eu repetir, porque é importante. Aqui em Minas ninguém precisa ir a lugar nenhum. Entendam… Você não precisa ir, você “precisa de ir”. Você não precisa viajar, você “precisa de viajar”. Se você chamar sua filha para acompanhá-la ao supermercado, ela reclamará:

— Ah, mãe, eu preciso de ir?

No supermercado, o mineiro não faz muitas compras, ele compra um tanto de coisa. O supermercado não estará lotado, ele terá um tanto de gente. Se a fila do caixa não anda, é porque está agarrando lá na frente. Entendeu? Deus, tenho que explicar tudo. Não vou ficar procurando sinônimo, que diabo. E não digo mais nada, leitor, você está agarrando meu texto. Agarrar é agarrar, ora!

Se, saindo do supermercado, a mineirinha vir um mendigo e ficar com pena, suspirará:

— Ai, gente, que dó.

É provável que a essa altura o leitor já esteja apaixonado pelas mineiras. Eu aviso que vá se apaixonar na China, que lá está sobrando gente. E não vem caçar confusão pro meu lado.

Porque, devo dizer, mineiro não arruma briga, mineiro “caça confusão”. Se você quiser dizer que tal sujeito é arruaceiro, é melhor falar, para se fazer entendido, que ele “vive caçando confusão”.

Para uma mineira falar do meu desempenho sexual, ou dizer que algo é muitíssimo bom (acho que dá na mesma), ela, se for jovem, vai gritar: “Ô, é sem noção”. Entendeu, leitora? É sem noção! Você não tem, leitora, idéia do tanto de bom que é. Só não esqueça, por favor, o “Ô” no começo, porque sem ele não dá para dar noção do tanto que algo é sem noção, entendeu?

Ouço a leitora chiar:

— Capaz…

Vocês já ouviram esse “capaz”? É lindo. Quer dizer o quê? Sei lá, quer dizer “tá fácil que eu faça isso”, com algumas toneladas de ironia. Gente, ando um péssimo tradutor. Se você propõe a sua namorada um sexo a três (com as amigas dela), provavelmente ouvirá um “capaz…” como resposta. Se, em vingança contra a recusa, você ameaçar casar com a Gisele Bundchen, ela dirá: “ô dó dôcê”. Entendeu agora?

Não? Deixa para lá. É parecido com o “nem…”. Já ouviu o “nem…”? Completo ele fica:

- Ah, nem…

O que significa? Significa, amigo leitor, que a mineira que o pronunciou não fará o que você propôs de jeito nenhum. Mas de jeito nenhum. Você diz: “Meu amor, cê anima de comer um tropeiro no Mineirão?”. Resposta: “nem…” Ainda não entendeu? Uai, nem é nem. Leitor, você é meio burrinho ou é impressão?

A propósito, um mineiro não pergunta: “você não vai?”. A pergunta, mineiramente falando, seria: “cê não anima de ir”? Tão simples. O resto do Brasil complica tudo. É, ué, cês dão umas volta pra falar os trem…

Certa vez pedi um exemplo e a interlocutora pensou alto:

— Você quer que eu “dou” um exemplo…

Eu sei, eu sei, a gramática não tolera esses abusos mineiros de conjugação. Mas que são uma gracinha, ah isso lá são.

Ei, leitor, pára de babar. Que coisa feia. Olha o papel todo molhado. Chega, não conto mais nada. Está bem, está bem, mas se comporte.

Falando em “ei…”. As mineiras falam assim, usando, curiosamente, o “ei” no lugar do “oi”. Você liga, e elas atendem lindamente: “eiiii!!!”, com muitos pontos de exclamação, a depender da saudade…

Tem tantos outros… O plural, então, é um problema. Um lindo problema, mas um problema. Sou, não nego, suspeito. Minha inclinação é para perdoar, com louvor, os deslizes vocabulares das mineiras.

Aliás, deslizes nada. Só porque aqui a língua é outra, não quer dizer que a oficial esteja com a razão. Se você, em conversa, falar:

— Ah, fui lá comprar umas coisas…

— Que’ s coisa? — ela retrucará.

Acreditam? O plural dá um pulo. Sai das coisas e vai para o que.

Ouvi de uma menina culta um “pelas metade”, no lugar de “pela metade”. E se você acusar injustamente uma mineira, ela, chorosa, confidenciará:

— Ele pôs a culpa “ni mim”.

A conjugação dos verbos tem lá seus mistérios, em Minas… Ontem, uma senhora docemente me consolou: “preocupa não, bobo!”. E meus ouvidos, já acostumados às ingênuas conjugações mineiras. nem se espantam. Talvez se espantassem se ouvissem um: “não se preocupe”, ou algo assim. A fórmula mineira é sintética. E diz tudo.

Até o tchau. em Minas. é personalizado. Ninguém diz tchau pura e simplesmente. Aqui se diz: “tchau pro cê”, “tchau pro cês”. É útil deixar claro o destinatário do tchau. O tchau, minha filha, é prôcê, não é pra outra entendeu?

Deve haver, por certo, outras expressões… A minha memória (que não ajuda muito) trouxe essas por enquanto. Estou, claro, aberto a sugestões. Como é uma pesquisa empírica, umas voluntárias ajudariam… Exigência: ser mineira. Conversando com lingüistas, fui informado: é prudente que tenham cabelos pretos, espessos e lisos, aquela pele bem branquinha… Tudo, naturalmente, em nome da ciência. Bem, eu me explico: é que, características à parte, as conformações físicas influem no timbre e som da voz, e eu não posso, em honrados assuntos mineiros, correr o risco de ser inexato, entendem?

Filmes de Terror x A Realidade

Publicado: 30/01/2012 por Déborah em Cinema, Humor, Televisão
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Os pratos servidos na ceia de Ano Novo têm seus significados e tradições que variam de acordo com o país e cultura. A seguir, alguns alimentos servidos nas ceias que possuem significação na passagem do ano.

Arroz
O arroz é uma semente e simboliza a riqueza, a abundância e a fertilidade. Coréia, Japão, Líbano e Dinamarca acreditam que esse é um alimento que traz muita sorte. O Líbano tem ainda uma outra curiosidade, é costume desse povo comer apenas alimentos brancos na noite da passagem do ano.

Aves
Passe longe de frango, peru, faisão ou qualquer tipo de ave se quer ter algum sucesso no ano que vem! As aves ciscam para trás e, para os supersticiosos, isso indica retrocessos e atraso de vida.

Champanhe
Essa bebida também é feita com uvas, e é uma bebida que não pode faltar na ceia e no brinde de Ano Novo. O champanhe “verdadeiro” é originário de uma região da França, e sua pureza e qualidade são reconhecidas no mundo todo. O único problema é que essa é uma bebida cara, mas você pode substituí-la por espumantes nacionais ou importados, de quase igual qualidade e mais baratos.

Lentilhas
A lentilha é sinal de boa sorte, principalmente para os italianos. No Brasil e no Chile, algumas pessoas acreditam que a lentilha deve ser a primeira coisa a ser consumida na ceia, logo após a meia-noite, para que não falte dinheiro durante o ano que está chegando.

Porco e leitão
O porco está sempre andando e fuçando para frente e, por isso, é visto como um animal de prosperidade. Além disso, seu alto teor de gordura nos remete à fartura e à riqueza.

Romã
A romã é símbolo de fartura e fertilidade. Ela é uma fruta que tem muitas sementes, que simbolizam o nascimento e a abundância. No Brasil, a tradição manda que se segure três sementes dessa fruta nos dentes à meia-noite, pedindo dinheiro para o ano seguinte. As sementes devem ser guardadas durante todo o ano, dentro da carteira e envolto em papel branco.

Uvas
A uva é a fruta mais conhecida por trazer boa sorte no Ano Novo. Para isso, você deve comer 12 uvas, uma para cada mês do ano. Aproveite e faça um pedido para cada uma que comer.

Vinho
O vinho é feito de uvas, que por si só já carregam uma significação positiva e otimista. Na passagem do ano, faça um brinde ao ano que nasce e beba o vinho em copos de cristal.

(Fonte: http://www.esoterikha.com)

***

“…Os sonhos não determinam o lugar onde vocês vão chegar, mas produzem a força necessária para tirá-los do lugar em que vocês estão. Sonhem com as estrelas para que vocês possam pisar pelo menos na Lua. Sonhem com a Lua para que vocês possam pisar pelo menos nos altos montes. Sonhem com os altos montes para que vocês possam ter dignidade quando atravessarem os vales das perdas e das frustrações. Bons alunos aprendem a matemática numérica, alunos fascinantes vão além, aprendem a matemática da emoção, que não tem conta exata e que rompe a regra da lógica. Nessa matemática você só aprende a multiplicar quando aprende a dividir, só consegue ganhar quando aprende a perder, só consegue receber, quando aprende a se doar…”

(Desconheço o autor)

Que todos tenham um Feliz Ano Novo!

Nas minhas andanças pela internet achei um texto muito interessante: 100 Observações a Respeito da Nossa Complicada Língua Portuguesa Brasileira. Fala de tudo um pouco, como grafia, hífen, acentos, concordância etc. Selecionei as que achei mais interessante e descartei todas as que versavam sobre o uso do hífen e acentos, pois me parece que o texto foi escrito antes de começar a vigorar a reforma ortográfica de nossa língua. Aqui reproduzo quarenta das cem observações e deixo o pedido, para quem souber, de me informar o autor das mesmas pois infelizmente não o encontrei.

1. Custas só se usa na linguagem jurídica para designar ‘despesas feitas no processo’. Portanto, devemos dizer: “O filho vive à custa do pai”. No singular.

2. Não existe a expressão à medida em que. Ou se usa à medida que correspondente a à proporção que, ou se usa na medida em que equivalente a tendo em vista que.

3. A princípio significa inicialmente, antes de mais nada. Ex: A princípio, gostaria de dizer que estou bem. Em princípio quer dizer em tese. Ex: Em princípio, todos concordaram com minha sugestão.

4. Com a conjunção se, deve-se utilizar acaso, e nunca caso. O certo: “Se acaso vir meu amigo por aí, diga-lhe…”. Mas podemos dizer: “Caso o veja por aí…”.

5. Não esqueça: alface é substantivo feminino. A alface está bem verdinha.

6. O certo é alto-falante, e não auto-falante.

7. Ancião tem três plurais: anciãos, anciães, anciões.

8. Só use ao invés de para significar ao contrário de, ou seja, com idéia de oposição. Veja: Ela gosta de usar preto ao invés de branco. Ao invés de chorar, ela sorriu. Em vez de quer dizer em lugar de. Não tem necessariamente a idéia de oposição. Veja: Em vez de estudar, ela foi brincar com as colegas. (Estudar não é antônimo de brincar).

9. Ainda se vê e se ouve muito aterrisar em lugar de aterrissar, com dois s. Escreva sempre com o s dobrado.

10. Não existe preço barato ou preço caro. Só existe preço alto ou baixo. O produto, sim, é que pode ser caro ou barato. Veja: Esse televisor é muito caro. O preço desse televisor é alto.

11. Existem palavras que só devem ser empregadas no plural. Veja: os óculos, as núpcias, as olheiras, os parabéns, os pêsames, as primícias, os víveres, os afazeres, os anais, os arredores, os escombros, as fezes, as hemorróidas, etc.

12. Pouca gente tem coragem de usar, mas o plural de caráter é caracteres. Então, Carlos pode ser um bom-caráter, mas os dois irmãos dele são dois maus-caracteres.

13. Catequese se escreve com s, mas catequizar é com z. Esse português…

14. Você não bebe a champanhe. Bebe o champanhe. É, portanto, palavra masculina.

15. Cidadão só tem um plural: cidadãos.

16. Ninguém diz eu coloro esse desenho. Dói no ouvido. Portanto, o verbo colorir é defectivo (defeituoso) e não aceita a conjugação da primeira pessoa do singular do presente do indicativo. A mesma coisa é o verbo abolir. Ninguém é doido de dizer eu abulo. Pra dar um jeitinho, diga: Eu vou colorir esse desenho. Eu vou abolir esse preconceito.

17. Outro verbo danado é computar. Não podemos conjugar as três primeiras pessoas: eu computo, tu computas, ele computa. A gente vai entender outra coisa, não é mesmo? Então, para evitar esses palavrões, decidiu-se pela proibição da conjugação nessas pessoas. Mas se conjugam as outras três do plural: computamos, computais, computam.

18. Coser significa costurar. Cozer é que significa cozinhar.

19. O correto é dizer deputado por São Paulo, senador por Pernambuco, e não deputado de São Paulo e senador de Pernambuco.

20. Descriminar é absolver de crime, inocentar. Discriminar é distinguir, separar. Então dizemos: Alguns políticos querem descriminar o aborto. Não devemos discriminar os pobres.

21. A palavra (pena) é masculina. Portanto, sentimos muito dó daquela moça.

22. Há duas formas de dizer: é proibido entrada, e é proibida a entrada. Observe a presença do artigo a na segunda locução.

23. Já se disse muitas vezes, mas vale repetir: televisão em cores, e não a cores.

24. A confusão é grande, mas se admitem as três grafias: enfarte, enfarto e infarto.

25. Outra dúvida: nunca devemos dizer estadia em lugar de estada. Portanto, a minha estada em São Paulo durou dois dias. Mas a estadia do navio em Santos só demorou um dia. Portanto, estada para permanência de pessoas, e estadia para navios ou veículos.

26. Lembra-se dos verbos defectivos? Lá vai mais um: falir. No presente do indicativo só apresenta a primeira e a segunda pessoa do plural: nós falimos, vós falis. Já pensou em conjugá-lo assim: eu falo, tu fales… Horrível, né?

27. O certo é a libido, feminino. Devo dizer: Minha libido hoje não tá legal.

28. Todo mundo gosta de dizer magérrima, magríssima, mas o superlativo de magro é macérrimo. (Nota: como a palavra macérrima me deixou curiosa, dei uma pesquisa e achei o seguinte na Wikipédia => magro vem do latim macer e pertence à mesma família de macerar, macerado, maceração, macérrimo, etc. Em todas essas palavras, existe a noção de amolecer, enfraquecer, debilitar, etc. Por se apoiar na raiz latina, macérrimo é considerada a forma erudita do superlativo absoluto sintético de magro. Outra flexão possível é magríssimo, que se apóia na forma portuguesa do adjetivo. No Brasil, é muito comum o emprego de magérrimo. O Aurélio diz que essa forma é anormal (…), apesar de muito comum; o Houaiss diz que essa forma vem sendo usada como se o étimo fosse mager, magris, e não macer, macris, macre, sendo, pois, menos recomendável. O Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, da ABL, registra somente duas formas: magérrimo e macérrimo.)

29. Antes de particípios não devemos usar melhor nem pior. Portanto, devemos dizer: os alunos mais bem preparados são os do 2º grau. E nunca: os alunos melhor preparados…

30. Fique atento: nunca diga nem escreva um de abril, um de maio. Mas sempre: primeiro de abril, primeiro de maio. Prevalece o ordinal.

31. É chato, pedante ou parece ser errado dizer ‘quando eu vir Maria, darei o recado a ela’. Mas esse é o emprego correto do verbo ver no futuro do subjuntivo. Se eu vir, quando eu vir. Mas quando é o verbo vir que está na jogada, a coisa muda: quando eu vier, se eu vier.

32. Só use quantia para somas em dinheiro. Para o resto, pode usar quantidade. Veja: Recebi a quantia de 20 mil reais. Era grande a quantidade de animais no meio da pista.

33. Não esqueça: retificar é corrigir, e ratificar é comprovar, reafirmar: ‘Ratifico o que disse e retifico meus erros‘.

34. Fique atento: só empregamos São antes de nomes que começam por consoante: São Mateus, São João, São Tomé, etc. Se o nome começa por vogal ou h, empregamos Santo: Santo Antonio, Santo Henrique, etc.

35. É comum vermos no rádio e na TV o entrevistado dizer: “O que nos falta são subzídios”. Quer dizer, fala com a pronúncia do z. Mas não é: pronuncia-se ss. Portanto, escreva subsídio e pronuncie subssídio.

36. E nunca diga: Eu torço para o Flamengo. Quem torce de verdade, torce pelo Flamengo.

37. Ciclo vicioso não existe. O correto é círculo vicioso.

38. E qual a diferença entre achar e encontrar? Use achar para definir aquilo que se procura, e encontrar para aquilo que, sem intenção nenhuma, se apresenta à pessoa. Veja: Achei finalmente o que procurava. Maria encontrou uma corda debaixo da cama. Jorge achou o gato dele que fugiu na semana passada.

39. Não existe adiar para depois. Isso é redundante, porque adiar só pode ser para depois.

40. Pode parecer meio estranho, mas pode conjugar o verbo aguar normalmente: eu águo, tu águas, ele água, nós aguamos, vós aguais, eles águam.